As políticas sociais exigem humildade
A enorme maçada que consiste em assistir à gritaria do país político em torno da introdução da nova Prestação Social Única (PSU) não deveria impedir, mesmo com recurso a generosas doses de paciência, que se discuta o tema como ele é discutido onde já pensaram nele.
A ideia mais básica, e escandalosamente verdadeira, é a enorme ineficiência política na missão de combater as desigualdades. A razão é desconcertante: quem concebe estes programas não faz ideia do que é viver, e muito menos pensar, como alguém que está na base da escada social e económica.
Os indicadores impressionam: em Portugal, a despesa social em percentagem do PIB nunca parou de crescer. Era de 6,5% em 1983, é de 19% agora. Nessa década de 1980, 78% dos portugueses recebiam algum tipo de apoio social. Agora são 75%. Apesar de a despesa ter crescido, a pobreza é persistente: cerca de quatro milhões de portugueses são pobres antes de transferências sociais — eram 42% em 2011, são 41% em 2024, segundo dados do estudo Portugal, Balanço Social.
O país político discute a PSU........
