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A aparência como lugar de sofrimento psíquico

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04.06.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Há uma tendência contemporânea a interpretar todo conflito com a aparência como efeito direto da cultura da imagem. Essa leitura não é falsa, mas pode ser insuficiente. A vida social atravessada por telas, filtros, exposição e comparação permanente cria um ambiente propício à vigilância do corpo. Ainda assim, há sofrimentos que não podem ser compreendidos apenas como consequência de padrões estéticos. O transtorno dismórfico corporal (TDC) pertence a esse campo mais complexo.

No TDC, a pessoa desenvolve uma preocupação intensa com supostos defeitos na aparência. Esses defeitos podem ser mínimos, pouco perceptíveis ou inexistentes para os outros, mas assumem proporção psíquica devastadora para quem sofre. O rosto, a pele, o cabelo, o nariz, o peso, a simetria ou qualquer parte do corpo podem se tornar objeto de fixação. A partir daí, a imagem deixa de participar da vida como elemento de identidade e passa a organizar angústia, controle e retraimento.

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O equívoco mais comum é chamar esse quadro de vaidade. A vaidade, em sua forma cotidiana, ainda comporta algum grau de desejo, prazer, expressão e escolha. O transtorno dismórfico corporal opera em outra lógica. Ele não se estrutura em torno do desejo de aparecer melhor, mas do medo de ser visto. A pessoa não busca apenas aprimorar uma........

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