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Novas narrativas para as velhas caças

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28.05.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

“Volta para tua terra, pá! Vocês estão consumindo a nossa Segurança Social”, disse-me, em tom de brincadeira, a professora de natação assim que ouviu meu sotaque brasileiro. Já escrevi outras vezes que este discurso não é exatamente sobre nós, brasileiros brancos de classe média — ainda que também sejamos atingidos por ele.

Mas foi impossível não lembrar imediatamente de uma cena de Moamba, episódio da série Novas Narrativas de Caça, em que um homem vai jantar na casa dos pais brancos da namorada e é recebido com uma “piada” racista daquelas que dispensam reprodução, porque o leitor provavelmente já ouviu alguma semelhante algures.

Talvez esteja aí uma das maiores inteligências da série criada por Luís Almeida, mostrar que a violência racial raramente se apresenta como violência para quem a pratica. Ela aparece como humor, desconforto, mal-entendido, excesso de sensibilidade alheia. A branquitude quase sempre se inocenta enquanto age para perpetuar seu status.

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Novas Narrativas de Caça tem tudo o que uma grande série precisa ter. Em primeiro lugar, grandes atores. Há interpretações aqui da ordem do hipnótico. Daniel Martinho, Gonçalo Cabral, Nuna, Binete Undoque, Carla Gomes, Suzana Francês, Carlos Pereira, Catarina Amaral, Nádia Silva, Camila Cerqueira, Mavá José, Pedro Lopes e Cirila Bossuet, recém-premiada com o Sophia de Melhor Atriz Coadjuvante, para citar alguns.

Impossível não ficar arrepiada com Isabel Zuaa, que realiza algo raríssimo e parece um furacão calmo. Como é possível tanta coisa acontecer com tanta........

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