A pedagogia da proibição e o perigo da censura digital
Sempre que uma sociedade se sente ameaçada, a proibição reaparece como uma solução rápida. Na verdade, a censura digital, nos dias de hoje, é uma espécie de penso rápido numa fratura exposta. Estamos a falar de um reflexo clássico, no qual perante o medo, corta-se, bloqueia-se, silencia-se ou proíbe-se. Hoje, esse impulso manifesta-se de forma particularmente visível na relação com a infância, os jovens, a escola e a tecnologia.
Assusta-nos a velocidade do digital e o forte impacto das redes sociais na vida de jovens e adultos. Assusta-nos também a dificuldade em acompanhar o que os mais novos fazem online e o modo como interagem com a inteligência artificial.
Em vez de enfrentarmos a complexidade do problema, escolhemos frequentemente o atalho mais simples, proibir. O problema é que esse atalho raramente educa, limita-se a esconder o problema debaixo do tapete, deixando aparentemente o problema resolvido num único espaço ou tempo, mas nunca a longo prazo ou noutros contextos, veja-se o exemplo da proibição do uso de telemóveis nas escolas, que poderia resolver um problema educativo, mas não resolve o problema do cidadão, basta este sair da escola e em casa não ter qualquer supervisão ou continuidade das medidas.
Um outro exemplo desse equívoco é a recente proibição do acesso às redes sociais a menores de 16 anos na Austrália. Foi notícia, em poucos dias após a aprovação desta medida, e na realidade para desmontar a narrativa da eficácia da mesma, os sistemas de verificação de idade aceitaram a fotografia de um cão Golden Retriever como prova de maioridade, ou os próprios pais a criarem contas em seu nome para que os filhos continuassem a aceder às plataformas sociais online.
O resultado não foi maior segurança, mas a criação de “clandestinos digitais”, jovens que aprendem,........
