O dia depois do medo no Irão
O Irão vive um momento que evoca o Movimento Verde de 2009 e a vaga de protestos desencadeada pelo assassinato de Mahsa Amini, em 2022. Mas há uma diferença decisiva. Desta vez, não é “apenas” a indignação urbana, estudantil ou feminina que se manifesta. É um país inteiro que se levanta. As ruas de Teerão, Mashhad, Isfahan e Hamedan fervilham de protestos, enquanto em pequenas cidades, vilas e bairros ecoa o mesmo desejo. Jovens, mulheres, trabalhadores, estudantes e minorias étnicas – curdos, azeris, balúchis – convergem numa mobilização transversal para encerrar um capítulo demasiado longo da história do Irão.
Os slogans misturam repúdio e memória. A estranha convergência de ideais republicanos e monárquicos revela mais do que nostalgia. Revela um povo que exige liberdade, autonomia e dignidade. Apesar do bloqueio, as redes sociais amplificam cada imagem de resistência e cada gesto de repressão. Tornam-se testemunho global, mas não definem a essência do movimento. Este também não se explica pelas supostas intromissões do Mossad, da CIA ou de qualquer ator externo que os suspeitos do costume não hesitam em apontar. A força que move o país é interna, e a sua liberdade futura dependerá sobretudo dos iranianos.
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