O sorriso da médica
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Na sala de espera, eu a aguardo. De repente, minha médica aparece no umbral da porta, sorri e me convida a entrar, o que, por si só, já é um diferencial: geralmente é a secretária ou a enfermeira quem conduz o paciente ao consultório. O paciente encontra o profissional confortavelmente instalado em sua cadeira, douto, excelso, mais saudável do que ele. Olha de baixo para cima como quem olha de cima para baixo.
Minha médica me olha nos olhos e, enquanto nos instalamos em nossas cadeiras, ela pergunta o que pode fazer por mim. Esta é a quarta vez em que a encontro. Admito que essa simpatia resulta em parte das boas notícias que ela tem me dado até aqui. Da primeira vez, uma infecção do trato respiratório superior — algo de fácil solução, me assegurou ela com firmeza.
Da segunda, um check-up, necessidade de saber se a calmaria externa do meu corpo encontrava respaldo em seus enredos subterrâneos. Eu tomo as boas novas como elogios. Já vivo num tempo em que não........
