“Cretinos digitais”: os filhos da “geração rasca”?
Mais de sete dezenas de docentes do ensino superior assinaram um manifesto contra a utilização de Inteligência Artificial (IA) generativa nos métodos de ensino-aprendizagem, advogando a sua proibição. Apresentam, como exemplo do caminho a seguir, o que tem sucedido com os smartphones nas escolas, que “foram sendo proibidos, tal como, de resto, também as redes sociais têm levado à adoção deste tipo de soluções por parte de muitos Estados”. Conviria lembrar que esta proibição não abrange os estudantes do ensino superior, que são adultos com os mesmos direitos dos meus colegas subscritores do manifesto – por exemplo, o direito de votar, que ainda agora, no dia 18 de Janeiro, todos tínhamos o dever cívico de exercer.
A imensa amargura distributiva do texto não poupa ninguém – estudantes, convertidos em “cretinos digitais”; professores, impotentes perante o “dilúvio digital”; instituições universitárias que adotam “uma política suicidária de portas abertas”. Escapam os decisores políticos, os quais condicionam, através de políticas economicistas, a qualidade do ensino e da investigação.
Culpam a IA de uma série de males do ensino superior, incluindo a normalização e o incentivo (!) ao plágio – “Afinal de contas, porque é que era proibido o plágio quando eram artesanais as suas condições de produção e, agora que se industrializaram, passou a ser aceite, tolerado e até incentivado?”. Artesanal ou sofisticado, com auxílio de qualquer ferramenta, o plágio é uma prática eticamente condenável e, essa sim, a ser banida. Não conheço ninguém que o tolere ou incentive, mas se algum dos colegas conhece casos de plágio, espero que tenha usado os canais adequados de........
