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E se criássemos a Infraestrutura Nacional de Inteligência para o Vinho?

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30.10.2026

Ajeitando a boina alentejana em gestos para nos garantir a atenção, o senhor Calado não ignora a estranha ironia emprestada pelo seu nome, assegurando-se que o ouvimos atentamente, tantas as estórias, tanto o entusiasmo com que nos conta os detalhes da sua propriedade, em Borba. No meio das videiras, como se numa imensa biblioteca, desfia o detalhe daquelas vinhas velhas que acompanha com desvelo e que cobrem quase metade da sua exploração. Trata-as de forma carinhosa (as minhas meninas). Este brio esconde-lhe o desalento, pois que todos os vinte hectares da sua vinha já não asseguram rendimento suficiente para uma vida digna.

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A história do senhor Calado é também a história de um património que se desvaloriza. Imenso, valioso, o património vitivinícola que possuímos reclama que saibamos ousar, tecer com inteligência um futuro com os fios invisíveis da inovação e reconhecer as oportunidades antes de elas se tornarem evidentes.

O sector vitivinícola nacional caracteriza-se por uma enorme diversidade de produtores, regiões e estilos, mas também por uma elevada fragmentação. A maioria das empresas não dispõe da dimensão necessária para investir........

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