Um museu para o futuro da memória no Porto
A 18 de maio comemorou-se o Dia Internacional dos Museus (DIM). Não há melhor data para regressar ao tema do que fazer para futuro no edifício da ex-PIDE/DGS na Rua do Heroísmo, no Porto, atualmente Museu Militar.
Na semana passada, em reunião da Câmara Municipal do Porto, o vereador independente Jorge Sobrado, apoiando-se nas palavras de José Pacheco Pereira [1], deu um passo há muito desejado, defendendo a criação de um museu dedicado à memória dos combates pela liberdade no edifício por onde passaram mais de sete mil pessoas, marcadas pela prisão e tortura. Como lhe chama Jorge Carvalho (Pisco), o último preso político a ser libertado no Porto (já na tarde de 26 de abril de 1974), estamos perante “a casa sinistra”.
O edifício da Rua do Heroísmo é, por excelência, o lugar de memória (Nora, 1993) da resistência ao Estado Novo. Logo no dia 27 de abril de 1974, no jornal A República, um leitor assina a crónica “Porque não transformar a ex-sede da PIDE/D.G.S. em museu da vergonha?”, onde propõe que “esse local devia reunir todo o historial da tenebrosa organização para espanto de quantos o visitassem” [2].
Em 1977, é tomada a decisão [3] de instalar ali o Museu Militar do Porto. Esse projeto, anteriormente projetado para o Forte de São João da Foz, em 1971, e que não avançou por falta de verba, acabou por ser inaugurado em 1980 no edifício da ex-PIDE/DGS. Apesar de essa decisão ter sido tomada erradamente, isso não significa que as Forças Armadas e a cidade não mereçam esse espaço. Antes pelo contrário, o Museu Militar merece um lugar melhor para o cumprimento da sua missão, desde logo capaz de abarcar toda a sua coleção (especialmente a de grande porte), e onde a identidade do lugar esteja intrinsecamente relacionada com a própria........
