A História exige mais do que certezas fáceis
Nos últimos anos, tornou-se frequente a revisitação pública de figuras e acontecimentos históricos que marcaram profundamente a vida coletiva dos portugueses. O problema não reside no debate em si, mas antes na forma como esse debate é, por vezes, conduzido, através de simplificações, comparações anacrónicas e juízos perentórios que pouco contribuem para a compreensão histórica.
Quem, como eu, viveu mais de dez anos sob o regime do Estado Novo e foi mobilizado para a Guerra Colonial, não pode deixar de encarar com alguma perplexidade certas leituras excessivamente lineares desse período. A experiência pessoal não substitui a investigação histórica nem confere o monopólio da verdade. Todavia, também não deve ser descartada como irrelevante. A memória dos que viveram os acontecimentos constitui um testemunho que merece ser escutado, sobretudo quando o debate tende a ser dominado por interpretações desprovidas de contextualização.
O Estado Novo foi um regime autoritário que limitou as liberdades fundamentais, institucionalizou a censura e reprimiu a dissidência política. Negá-lo seria uma forma de desonestidade intelectual. Conheci esse regime por dentro. Vi os constrangimentos que impôs à vida de tantos e tantos portugueses e fui, eu........
