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A inteligência artificial, a flor e a náusea

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18.10.2026

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Confesso que as eleições deste ano, no Brasil, têm-me provocado enjoo. Uma leve sensação de náusea ao notar que no fundo do poço do respeito e do bom senso, há um alçapão para onde se pode descer mais. Escândalos e promessas de entregar o Brasil de bandeja aos interesses norte-americanos somam-se a declarações que passam por expressões terraplanistas e visões e profecias messiânicas. Nessas horas, salva-me – um pouco – a poesia.

Em A rosa do povo, de 1945, Carlos Drummond de Andrade nos brinda com um dos mais inquietantes poemas escritos na língua portuguesa: A flor e a náusea. Numa realidade que se deparara com as mais atrozes cenas que a Segunda Guerra Mundial pudera provocar, despontava, diante dos olhos, o espanto provocado por uma flor. “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.

Hoje, em que a realidade parece ser um luxo que nem sempre está disponível,........

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