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Eça de todos os portugueses

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06.01.2026

Após dez anos enquanto Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa chega ao fim do seu mandato presidencial proferindo o derradeiro discurso de Ano Novo, curto e aparentemente enxuto.

Embora tenha sido um discurso breve, as opiniões e reações não foram tão enxutas quanto as curtas laudas que o Presidente endereçou aos portugueses. Marcelo desejou e pediu mais educação e habitação e saúde e tolerância; desejou um bom ano a todos os queridos compatriotas, não fugindo, assim, ao seu perfil de proximidade e afeto com todos os cidadãos.

O Presidente da República usou um terço do seu discurso para citar – veja-se o atrevimento – o desenlace de A Ilustre Casa de Ramires, um dos mais densos e complexos romances de Eça de Queirós. E foi por conta da leitura de uma obra literária e do recurso ao exemplo da literatura que o enxuto rapidamente se transformou numa enxurrada de comentários, opiniões e reações, sendo, de resto, este texto, um exemplo mais de toda essa hermenêutica.

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