As vantagens do extremismo
Há qualquer coisa de estranhamente reconfortante no extremismo. Não digo isto para o defender, mas porque, se quisermos compreendê-lo, temos primeiro de reconhecer aquilo que o torna sedutor.
No conhecido monólogo satírico de John Cleese em 1987, a ideia que expõe é simples: o extremismo seduz porque conforta. Seja à esquerda ou à direita, oferece o mesmo alívio moral: dá-nos inimigos, simplifica o mundo e faz-nos acreditar que o mal está sempre do outro lado.
A sua vantagem imediata é essa: simplificar. E o mundo já se apresenta demasiado confuso, desigual, acelerado, complicado e, muitas vezes, humilhante. É nesse contexto que o extremismo surge com uma promessa irresistível: não pense demasiado, eu explico-lhe tudo. E a explicação é sempre sedutoramente simples: há culpados, há inocentes, há um “nós” bom e um “eles” mau.
É uma proposta emocionalmente eficiente. De repente, deixamos de ter de lidar com ambiguidades, contradições, dúvidas ou responsabilidades partilhadas. Tudo passa a caber numa........
