Quem tem medo de Paulo Pereira?
Foi com satisfação que muitos acompanharam o resultado das eleições na Hungria, após 16 anos de governação de Viktor Orbán. No entanto, no meio deste momento de expectativa, surgem reflexões inevitáveis sobre os limites e fragilidades dos sistemas democráticos quando permitem mecanismos de bloqueio interno: o sistema consolidou a presença de pessoas próximas do poder em posições-chave, tanto no executivo como na justiça, tornando difícil qualquer transição, mesmo quando existe vontade eleitoral de mudança. De igual modo, a própria União Europeia permite o veto por parte de um único país e a Hungria não se tem coibido de o usar ou ameaçar o seu uso, protegendo interesses próprios. Esses interesses não desaparecem de um dia para o outro e permanece a dúvida sobre a capacidade real de reforma em contextos institucionalmente capturados.
É neste enquadramento que quero fazer um paralelo com o que se passa na Universidade Nova de Lisboa. Em Portugal, os reitores são eleitos pelos Conselhos Gerais, que integram representantes de docentes, investigadores, estudantes, pessoal não docente e membros cooptados da sociedade civil. Historicamente, a eleição do reitor da Nova foi marcada por elevada previsibilidade: António Rendas foi eleito primeiro sem oposição interna e depois sem qualquer oposição e João Sàágua foi o candidato único em dois mandatos. Na verdade, mais do que eleições, estes costumavam ser processos de........
