Pedro Delgado Alves tem razão. Aguiar-Branco não tem
São muito raros os políticos portugueses que sabem fazer discursos. A regra é serem chatos e pomposos, com citações puídas dos mesmos autores de sempre, e um empilhar de banalidades que não entusiasmam ninguém. Não tem sido assim com os discursos de José Pedro Aguiar-Branco desde que chegou à presidência da Assembleia da República. Aguiar-Branco deve ter encontrado nalgum gabinete do PSD um speech writer talentoso, e tem vindo a dar-lhe bom uso. A qualidade técnica dos seus discursos, como ainda neste sábado se viu, está muitos furos acima da concorrência: ritmo impecável; frases fortes e curtas; citações surpreendentes (em vez de Sophia e de Manuel Alegre, Groucho Marx); recurso ao humor e à ironia (o louvor do rancho folclórico de Vilar de Perdizes); uso de histórias personalizadas e inspiradoras (como a da estudante Lua Afonso). Tudo certo em termos de forma. Tudo errado em termos de conteúdo na cerimónia do 25 de Abril.
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