A humilhação do sistema de justiça às mãos do animal feroz
Nos tempos da Inquisição, bastava uma denúncia anónima para lançar alguém na cadeia, com confiscação imediata dos seus bens (um excelente incentivo para falsas acusações) e o recurso à tortura para arrancar confissões, que muitas vezes surgiam por não se aguentar o suplício. Em boa parte dos casos, a vítima nem sequer sabia do que estava a ser acusada: atribuíam-lhe crimes vagos e abstractos, como heresia ou práticas contrárias à fé, e ela ignorava o que fizera em concreto para merecer estar ali. Competia ao acusado demonstrar a sua inocência, e bastava uma contradição, ou a ignorância de um qualquer detalhe teológico, para ser condenado. Não conhecia os factos. Não conhecia as testemunhas. Nem sequer conhecia as provas.
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