Há sempre um início no Verão
No Verão, as cobras renovam a pele — nós, a alma. Terão sido os egípcios ou talvez os gregos a decretar o início em Janeiro. Terá sido Deus ou talvez os astros a decidir que faria frio, chuva e escuro nesses dias. Declaramos lealdade ao renascer de Janeiro, às promessas de Ano Novo, à mudança que há-de vir — mas no fundo sabemos que não. Sabemos, sentimos, que o nosso coração está encrostado, encostado, enrolado, à espera de nascer.
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À espera: do jasmim, da gritaria no parque, da paz nos rios. Assim que surgem, ele espreguiça-se e sente estar perto de um novo início, um novo ano, uma nova vida. Tem finalmente força nos dedos: sai do seu casulo de metal, rasga as vestes — é de novo homem formado.
(Bacharelado em Engenharia)
Eles querem que seja Janeiro, mas nós sabemos que é Agosto. Foi em Agosto que te conheci e aprendi que as unhas dos pés podiam ter as cores dos........
