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Digitalização destrutiva: um atentado ao livro, à linguagem e à liberdade

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29.07.2026

Sou alfarrabista. Vivo do comércio de livros usados, antigos e raros. É uma profissão trabalhosa, mas relativamente estável e provavelmente tão antiga como o livro em si. É uma daquelas actividades que, em princípio, nunca seria ameaçada pelo advento da IA. Contudo, notícias e rumores postos a circular nos últimos anos abalaram esta certeza e, pior, parecem estar a pôr em causa a forma como nos relacionamos com o livro.

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É sabido que entre 2024 e 2025 a Anthropic pôs em marcha o “Project Panama”, onde digitalizou e destruiu milhões de livros para treinar as capacidades de linguagem da sua IA. Mais recentemente, alguns alfarrabistas notaram que uma empresa chamada Zoom Books está a encomendar milhares de livros de uma forma estranha, sem que se perceba bem qual é o seu destino. Diz-se que o propósito destas compras é uma futura digitalização que, para ser automatizada, implica destruir a lombada dos livros, transformando-os de imediato em lixo. A destruição dos livros não é nova. A censura, a incúria e a necessidade de espaço sempre levaram à........

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