O Mundial mostrou-nos que o futuro não é TV ou digital. É TV e digital
Há mais de uma década que ouvimos, ciclicamente, o mesmo diagnóstico: a televisão está a perder relevância. Primeiro foi a internet. Depois chegaram as redes sociais, as plataformas de streaming, os criadores de conteúdo e, mais recentemente, novas formas de acompanhar grandes eventos através de plataformas digitais. A cada inovação, renova-se a ideia de que o modelo anterior está condenado a desaparecer. No entanto, basta acontecer um grande momento coletivo para essa previsão voltar a ser desafiada.
A despedida de Portugal do Mundial 2026, ditada pela derrota por 0-1 frente à Espanha nos oitavos de final, foi mais um desses momentos. O resultado deixou a seleção nacional fora da competição, mas voltou a reunir milhões de portugueses em torno do mesmo acontecimento. O encontro registou uma audiência média de 37,9%, um share de 67,4% e alcançou mais de 5,3 milhões de pessoas através da televisão [1] (muito alinhado com jogos de Portugal em edições anteriores de Mundiais e Europeus). Num tempo em que cada pessoa escolhe o que quer ver, quando quer ver e em que dispositivo quer ver, continuam a existir momentos capazes de suspender essa lógica individual para recuperar uma experiência partilhada — e isso não significa que nada tenha mudado, pelo contrário.
Ao longo deste Mundial ficou evidente que a experiência de acompanhar um jogo já não........
