O herói dos meus pais
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A casa se esvaziou. Durante alguns dias, ela esteve cheia daquele barulho bom — passos pela manhã, perguntas, risos, o café passado mais cedo do que o costume. Agora, voltou o silêncio, e a saudade tratou logo de ocupar o espaço que eles deixaram. Meus pais foram embora. E eu fiquei aqui, com o peito apertado e, ao mesmo tempo, estranhamente feliz.
Foram dias maravilhosos, mesmo atravessados pelo trabalho que não dá trégua. Mas houve algo nesta visita que me tomou de surpresa: percebi, talvez pela primeira vez com tanta nitidez, que meus pais estão ficando velhos. Não é uma tristeza — é um espanto. A gente passa a vida inteira olhando para os pais como se fossem permanentes, imutáveis, à prova do tempo. E então, num gesto mais lento, numa dúvida sobre o celular, num pedido de ajuda que antes nunca viria, o tempo se anuncia.
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A sensação da finitude da vida a gente........
