O Escudo Europeu da Democracia é o novo lápis azul?
Há uma certa tentação de transformar qualquer instrumento europeu num dispositivo suspeito, distante e anti-povo. O alvo, desta vez, é o Escudo Europeu da Democracia (EDS). Na audição da 4.ª Comissão ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, a 1 de abril, o deputado do Chega Ricardo Dias Pinto classificou esta iniciativa como uma “fraude” e um novo “lápis azul”.
Convém, por isso, interromper a narrativa antes que esta se normalize. O Escudo Europeu da Democracia não é um mecanismo oculto de controlo político, nem inaugura poderes repressivos. É sim, uma tentativa de coordenar instrumentos já existentes para responder a um problema que deixou de ser periférico: a manipulação organizada do espaço informativo e a interferência em processos democráticos.
E aqui importa ser preciso. Não estamos a falar de opiniões incómodas, nem de dissenso político. Estamos a falar de campanhas coordenadas, de redes de amplificação artificial, de financiamento opaco e de interferência externa com objetivos estratégicos claros.........
