Com quantos imóveis se faz um egoísta?
Segundo o dicionário, um egoísta é “aquele que trata só dos seus interesses”.
Na semana em que jovens se juntaram em protesto pela habitação, fazendo acampamentos no Porto e em Lisboa, o primeiro-ministro pediu que não se fosse “egoísta”. Disse depois que não falava dos manifestantes. Mas confesso que a palavra ficou a ecoar na minha cabeça. E, com ela, uma pergunta que não me larga: quem está, afinal, a tratar só dos seus interesses?
Um direito, não um favor
Muito se fala da habitação em Portugal. Há anos que a crise faz manchetes. Há anos, também, que se relativiza, que se diz que é temporária e que acaba por passar. Como se fosse apenas mais uma crise passageira e não o resultado de décadas de escolhas políticas.
O que muitas vezes se esquece é que a habitação, além de ser uma das necessidades humanas mais básicas na pirâmide de Maslow, é também um direito constitucional.
Diz o artigo 65.º da Constituição que “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”. E que cabe ao Estado garanti-lo: construir habitação económica e social, pôr a construção privada ao serviço do interesse geral e criar um sistema de rendas compatível com o que as famílias ganham.
Quando faço o........
