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A subida do nível da água do mar não é apenas geográfica. É política!

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11.09.2026

Passados mais de 70 anos da estreia de Johnny Guitar, de Nicholas Ray, a natureza da mensagem irreverente que emerge do filme mantém-se oportuna. Este filme encerra um pensamento onde se desconstrói a masculinidade latente no cenário do faroeste americano, puxando do gatilho igualitário do papel feminino na história, e evidenciando os danos incontroláveis numa febre de perseguição colectiva. A sua estética não é meramente artística, mas sim ideológica.

É um produto dos anos 50, quando a crítica norte americana não poupou apupos e descredibilizou o mérito do seu trabalho. A verdade incómoda só mais tarde foi reconhecida pela crítica europeia, que tornou o filme um ícone da cinefilia.

Esta dualidade entre o passado e o presente, onde os sinais existem, mas a resistência humana teima em não os aceitar, restando apenas o tardio reconhecimento dessa realidade, é própria das sociedades em que as verdades são vistas como ameaças à estrutura moral ou ao modelo económico instalado.

O paralelismo com o filme de Johnny Guitar assenta num tempo em que vivemos uma verdade incómoda sobre os impactos humanos das alterações climáticas, em que as suas causas são demonstradas pelos cientistas há décadas e o processo de combate às alterações........

© PÚBLICO