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A geração que recebe com uma mão o que lhe tiram com a outra

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23.04.2026

O atual Governo tem uma narrativa clara para os jovens: IRS Jovem a isentar rendimentos até aos 35 anos; garantia pública para a compra de casa; isenção de IMT e imposto de selo. Vista como pacote, é uma arquitetura pensada para reter uma geração. Vista em conjunto com a reforma laboral que o Governo quer levar ao Parlamento, é menos coerente. Se avançar na forma atual, as medidas da mão esquerda assumem uma condição que a direita corrói: rendimento estável e previsível.

Convém recuar nove meses. O anteprojeto de julho de 2025 ia mais longe do que a versão atual. Propunha contratos a prazo até três anos, exclusão de reintegração em qualquer empresa, retorno do banco de horas individual, alargamento do outsourcing. Muitas foram suavizadas. Mas o texto original existiu, foi aprovado em Conselho de Ministros, e mostra onde este Executivo quis chegar quando não havia resistência suficiente para o travar. O que está hoje em cima da mesa é o que sobrou das cedências, não a intenção inicial.

No cenário em que a reforma passa, o cálculo é simples. Uma jovem de 28 anos em Lisboa quer........

© PÚBLICO