Filme O Barqueiro, breve comentário
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Por um instante, parei para relembrar a primeira vez que sobrevoei o rio Tejo. Lembro-me de que foi um amor à “primeira vista”: estava completamente absorvido pela beleza e luminosidade que irradiava as margens Sul e Norte. Conjecturo que essa seja uma imagem que muitas pessoas guardam com encanto. Entretanto, no meio de tanta boniteza, também “se escondem” a violência, a miséria, a exploração e as singulares histórias que, nas margens desse rio, são vividas todos os dias por centenas ou milhares de pessoas.
O recente filme O Barqueiro, do realizador Simão Cayatte, procura contar uma história a contrapelo das violentas contradições que o Tejo traz nas suas correntezas e nas margens que o comprimem (inspiração brechtiana). Entretanto, mais do que narrar a vida de um homem que esteve privado de liberdade por mais de 16 anos e que está na busca de se reconciliar com a filha pianista de 17 anos — que não fala com o pai há meia década, ao descobrir que ele não trabalhava em nenhuma plataforma na Noruega, mas, sim,........
