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O impacto da inteligência artificial na autonomia intelectual dos jovens

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17.06.2026

Os jovens estão entre os maiores utilizadores de inteligência artificial generativa e essa realidade está a transformar profundamente a forma como aprendem, pensam e se preparam para o mercado de trabalho.

O que começa muitas vezes como uma utilização simples — pedir à IA para formatar um texto, fazer uma lista ou resumir informação, evolui rapidamente para algo mais complexo. Progressivamente, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a desempenhar um papel mais estruturante no nosso processo cognitivo, ajudando-nos a organizar ideias, construir argumentos, desenvolver novos conhecimentos, e, até, formar novas opiniões. Este processo, que pode parecer natural e eficiente, levanta, no entanto, questões importantes sobre o impacto da tecnologia na autonomia intelectual dos jovens.

Uma das preocupações centrais prende-se com o conceito de “cognitive offloading”, ou externalização cognitiva, amplamente discutido em vários estudos recentes e também reflectido nos relatórios da OCDE sobre inteligência artificial na educação. O risco não está apenas em usar a IA como uma ferramenta de apoio, mas em começar a depender dela para estruturar o próprio pensamento, antes de o termos desenvolvido plenamente. Isto acontece quando começamos a escrever ou a analisar temas antes de termos reflectido profundamente sobre eles, ou quando deixamos que a IA “organize” ideias que ainda não consolidámos. Com o tempo, esta prática pode enfraquecer a capacidade de pensamento crítico e de expressão autónoma, reduzindo a nossa habilidade para construir raciocínios de forma independente. Este risco é particularmente relevante no contexto educativo, onde a OCDE destaca simultaneamente o potencial da inteligência artificial como ferramenta de aprendizagem e os perigos associados à sua utilização........

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