Quando a Revolução deixa de aprender
O mais recente romance de Leonardo Padura, Morrer na Praia (Porto Editora, 2026), oferece uma metáfora particularmente sugestiva para pensar o destino da Revolução cubana. Não porque o livro seja uma alegoria política, mas porque a expressão evoca a imagem de alguém que atravessou tempestades, resistiu a perigos e percorreu uma longa travessia apenas para sucumbir quando a terra firme parecia finalmente ao alcance.
Sessenta e sete anos depois de 1959, a pergunta impõe-se: terá sido esse o destino da revolução que mobilizou gerações em todo o mundo e se apresentou como uma promessa de emancipação humana? A resposta não pode ignorar os efeitos devastadores do embargo norte-americano, nem a persistência de uma lógica imperial que nunca aceitou verdadeiramente a existência de um regime político autónomo a poucas dezenas de quilómetros da Florida. Mas também não pode ignorar as responsabilidades internas de um sistema que revelou uma crescente incapacidade para se renovar e democratizar.
Para compreender essa trajetória, vale a pena olhar para a educação.
Se existe um domínio em que a Revolução cubana alcançou resultados extraordinários, foi precisamente esse. A campanha nacional de alfabetização tornou-se um símbolo internacional. O acesso à escola foi universalizado. A cultura e o conhecimento deixaram de ser privilégios reservados a minorias. Durante décadas, Cuba demonstrou que a educação podia constituir uma prioridade política efetiva e não apenas uma promessa retórica.
Num continente marcado por profundas desigualdades sociais e educativas, estas conquistas tiveram um significado histórico inegável. Talvez nenhum outro legado da revolução........
