Leituras obrigatórias ou consciência obrigatória?
"Um povo de navegadores é um povo de afogados."In Paisagem com mulher e mar ao fundo, de Teolinda Gersão
Decidi usar este palco que o PÚBLICO me concede para algo diferente, misto de resenha, sugestão literária e dissertação sobre os perigos da perda de memória coletiva ou da ausência de conhecimento histórico.
Tomo como ponto de partida Paisagem com mulher e mar ao fundo, de Teolinda Gersão, obra inicialmente publicada em 1982 e reapresentada aos leitores em 2019 numa nova edição revista pela autora.
Desengane-se. Esta não é uma leitura que facilite a vida de quem decidir aventurar-se neste mar de letras. Não só o enredo — duas mulheres, duas gerações, marcadas pela dor da perda, num Portugal em que as pessoas sofriam em silêncio —, mas também a forma surpreende. Uma prosa poética, lírica, livre, com fluxos de consciência e variações de narrador, menos linear do que o habitual na literatura portuguesa, transposta numa mancha gráfica original; os parágrafos deslocam-se, a pontuação é solta. A escritora vive aqui a sua liberdade.
Mais do que para perceber, Paisagem com mulher e mar ao fundo é um livro para sentir, centrado nas emoções de quem habita as páginas,........
