Frases inesperadas são das coisas mais divertidas da maternidade
Um dia eram quatro da manhã e eu ferrada a dormir quando uma das gémeas entrou no meu quarto, veio disparada para o meu lado da cama e pediu-me que fosse ao quarto dela. Eu (que já tinha feito muitos turnos nessa noite) disse-lhe “Pede ao pai”, ao que ela me respondeu: “Mas, mãe, o pai está a dormir!!!!” Esse pequeno momento com a saída deliciosa daquela pirralha de 5 anos ainda hoje me faz rir e consta do Frasco de Memórias que lhe demos, ainda o tem?
Das coisas mais divertidas da maternidade são estas frases inesperadas que nos maravilham e que valem a pena guardar, por isso deixo-lhe aqui o meu top 5 das que me foram ditas pelos meus filhos, sobrinhos ou alunos, para a mãe as guardar! Por favor, mande-me o seu reportório e, depois, quero muito ouvir o dos nossos leitores.
#1 Estava a consolar o meu sobrinho, de 8 anos, quando um amigo dele se aproximou e, muito querido, perguntou-lhe umas vinte vezes qual era o problema, dando várias sugestões e hipóteses, mas perante o seu silêncio virou-se para mim e disse-me: “Olha, já tentei tudo, agora tenta tu, que já perdi bastante tempo nisto.”
#2 Quando contei às gémeas, na altura com 6 anos, que estava grávida, uma delas olhou para mim com os olhos muito abertos e disse: “O pai sabe?! É melhor ir contar-lhe!”, e saiu disparada.
#3 O meu filho, devia então ter 4 anos, disse-me uma vez: “Porque é que és nova e tens maminhas de velhota?”
#4 Percebemos as figuras que fazemos quando estamos zangadas, quando apanhamos os nossos filhos a imitar-nos. Uma noite, ouvi a Martinha, do alto dos seus cinco anos, a repetir sem parar ao mini E., tudo muito bem articulado: “La-men-to, mas não podes ouvir esta história. La-men-to!”
#5 Quando perguntaram a uma das minhas alunos o que é que o pai dela fazia, ela respondia convicta e orgulhosamente: “Nada!!” Foi preciso a mãe explicar-nos que o pai era nadador de competição.
Mãe, agora é a sua vez!
Ainda bem que interrompeste a sessão de terror que é acompanhar esta guerra (estas guerras, porque não me esqueço por um minuto da Ucrânia), com uma dose de histórias que reforçam a minha esperança na humanidade (apesar de tudo!).
Além do mais, o teu desafio obrigou-me a parar este consumo obsessivo de desgraças e a ir buscar o meu Frasco de Memórias (é claro que continua ao lado da banheira!), tirando alguns cartões para te poder responder.
A sério, Ana, foi dos melhores presentes que tu e as miúdas me deram, e que todas as avós deviam ter — basta um frasco e pequenos cartões, onde cada um escreve histórias ou frases (“O cheiro da almofada da avó”, é o meu favorito), que se guardam para sempre.
Desculpa, desvio-me das tuas instruções. Aqui vão, e começo logo por uma tua:
#1 Um dia, aos 4 anos, decretaste que querias mandar. Respondi-te que podias mandar no teu quarto, e tu bateste o pé em protesto: “Mas eu quero mandar muito!” Estávamos no tempo da Margaret Thatcher e pensei em enviar-te para a assessorares.
#2 Uma das gémeas estava a andar de baloiço e conseguiu empurrar-se a si mesma com as pernas, chegando altíssimo. Entusiasmada, encorajei-a com um “Uau”, ao que a outra, pendurou-se no meu braço e perguntou: “Avó, eu também sou Uau?”. (Ai, eram tão queridas!)
#3 O filho de uma grande amiga, com um pai engenheiro informático, odiava a natação, e um dia implorou à mãe: “Por favor, desinstala-me da piscina!”
#4 Um dos meus sobrinhos netos andava num jardim-infantil de freiras e quando os pais lhe contaram que ia ter uma “irmã” desatou a protestar, porque já tinha suficientes.
#5 Esta contou-nos a Constança Cordeiro Ferreira no podcast das Birras, e ainda me estou a rir. Estava à espera do primeiro filho e a arrumar as roupas de bebé na mala para a maternidade, quando a irmã lhe perguntou “Achas que a mãe nos vai deixar pegar nele?”
Ana, cumpri a minha parte do desafio, agora passo a bola aos leitores.
O Birras de Mãe, uma avó/mãe (e também sogra) e uma mãe/filha, logo de quatro filhos, separadas pela quarentena, começaram a escrever-se diariamente, para falar dos medos, irritações, perplexidade, raivas, mal-entendidos, mas também da sensação de perfeita comunhão que — ocasionalmente! — as invade. E, passado o confinamento, perceberam que não queriam perder este canal de comunicação, na esperança de que quem as leia, mãe ou avó, sinta que é de si que falam. As autoras escrevem segundo o Acordo Ortográfico de 1990
