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A saúde, o serviço e a ministra

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08.07.2026

1.As desavenças sobre o Serviço Nacional de Saúde arrastam-se há anos, ritualizadas e chatas, disputadas com a mesma táctica e os mesmos resultados da batalha do Somme. A guerra de trincheiras entre os defensores de um SNS puríssimo, para quem o mundo ideal é uma salganhada indestrutível de cravos vermelhos, socialismo e abortos gratuitos, e aqueles que defendem um sistema de saúde que não viva paralisado por um SNS viciado em injectáveis de dinheiro fácil, não conduziu nem nunca conduzirá a qualquer resultado útil.

A discussão condenou-se a uma auto-circunscrição que faz a inveja de qualquer burro habituado a puxar à nora – é circular e redutora. Continuar a sustentar uma polémica autónoma sobre o SNS conduzirá às habituais soluções sem alcance – sempre as mesmas, as que têm sido repetidas com pequenas variações e com preços cada vez maiores. Realmente, não há um problema com o SNS, nem sequer há um problema com o sistema de saúde, há um enormíssimo problema com o país.

Não é possível solucionar qualquer disfunção do SNS sem resolver os principais problemas que o país tem em agravamento desde há décadas. Portugal está atascado em lobbies partidários e profissionais organizados numa rede de elos redundantes, tão esmerados que é sempre possível ver unidos por um lado dois interesses que nunca poderiam unir-se pelo outro. Portugal está envolvido por uma rede extremamente adaptável de clientes, pesada e dúctil como um reposteiro estratégico, entendidos em burocracia e conversas de corredor. São federações de interesses que desde há 50 anos escoram um estado improdutivo a que chamam social, um estado lorpa apelidado de humanista, um estado que designam por inclusivo e é apenas um acampamento de patetas amolecidos por activismos grotescos e solventes. É este o Portugal do SNS e das rotundas, das atribuições e das comendas, dos observatórios e das comissões. Sem arrojo para perceber essa miséria e enfrentar de um modo integrado as clientelas que vivem dela, qualquer tentativa de resolver problemas sectoriais continuará a dar com os burrinhos na água – e, sendo esta expressão de origem brasileira, ficará lembrado o ecumenismo da tragédia.

Perceba-se. Portugal tem disfunções graves em todos os domínios, e também no Serviço Nacional de Saúde. A redistribuição de insuficiências e a corrida dos ministros atrás dos prejuízos não são reformas estruturais, são caiadelas aguadas atiradas a uma parede que está a cair.

2.O Serviço Nacional de Saúde sofre de defeitos seminais bem identificados. Permito-me citar (do arquivo do Observador para não obrigar a grande deslocação, e assinados por mim para que os leitores se sintam motivados a encontrarem reflexões melhores) três artigos: 1. A salvação do Sistema Nacional de Saúde, 2. Santa Maria, mãe e educadora, 3. Carta aberta ao próximo Ministro da Saúde.

As insuficiências do SNS radicam primitivamente no seu formato. O SNS é um edifício de tijolos benevolentes empilhados sem cimento, pensado por quem não percebia nada de alvenaria nem de saúde e que, como era prometido desde o primeiro dia, se tornou um sítio de restauros e remendos cada vez mais onerosos e inúteis. Hoje, a preocupação mais exigente dos que o defendem no seu formato primordial já não é o seu........

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