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Uma monocultura de árvores não funciona como uma floresta

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22.08.2026

Há palavras que repetimos tantas vezes que deixamos de pensar no seu verdadeiro significado. Uma delas é “floresta”. Todos os Verões ouvimos falar de incêndios florestais, gestão da floresta, economia da floresta ou limpeza da floresta. Depois olhamos para as imagens e, muitas vezes, aquilo que vemos é uma plantação de árvores em monocultura.

Do ponto de vista administrativo e estatístico, uma plantação monoespecífica pode ser classificada como floresta de produção ou floresta de plantação. Mas isso não significa que funcione ecologicamente como uma floresta diversa. A diferença não é apenas semântica. Ajuda a compreender muitos dos problemas ambientais e territoriais que hoje enfrentamos.

Uma floresta não é apenas um conjunto de árvores. É um sistema vivo composto por árvores de diferentes espécies e idades, arbustos, plantas rasteiras, fungos, líquenes, insectos, aves, mamíferos, répteis, anfíbios e milhões de organismos microscópicos que vivem no solo.

Cada espécie pode desempenhar várias funções e diferentes espécies podem contribuir para a mesma função ecológica. Umas polinizam, outras dispersam sementes, reciclam nutrientes, regulam populações de insectos, produzem matéria orgânica ou participam na formação e manutenção do solo. Essa diversidade cria redundância, capacidade de adaptação e maior resistência perante secas, pragas, doenças e outras perturbações.

Para perceber esta ideia, basta pensar numa cidade. Uma cidade não funciona por ter quinze mil médicos, quinze mil advogados ou quinze mil contabilistas. Funciona porque reúne milhares de profissões diferentes. Agricultores, professores, mecânicos, enfermeiros, electricistas, padeiros, canalizadores e condutores asseguram funções distintas que, em conjunto, mantêm o sistema operacional.

Se retirássemos essa diversidade e deixássemos apenas uma profissão, continuariam a existir edifícios, estradas e pessoas, mas já não existiria uma cidade funcional. Uma monocultura arbórea apresenta um problema semelhante. Conserva uma cobertura de árvores, mas perde grande parte da diversidade de relações que permite a um ecossistema responder, adaptar-se e regenerar-se.

O exemplo mais evidente em Portugal é o dos povoamentos de eucalipto-comum, Eucalyptus globulus, uma espécie originária do sudeste da Austrália e da Tasmânia. Nos grandes povoamentos monoespecíficos da Península Ibérica, muitas das relações ecológicas presentes nas florestas nativas estão ausentes ou fortemente reduzidas.

Existe vida num eucaliptal, naturalmente. A sua diversidade depende da idade do povoamento, da frequência dos cortes, da intensidade da gestão, da presença de subcoberto e da proximidade de outros habitats. Mas, sobretudo nos povoamentos mais........

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