Portugal e a geração sem casa própria: mudança estrutural
Durante décadas, o percurso parecia traçado: estudar, começar a trabalhar, comprar casa, construir família. Ter casa própria era mais do que um objetivo — era um marco de independência, segurança e realização pessoal. E durante muito tempo, esse caminho foi possível para a maioria. Hoje, já não é. E isso não é apenas um efeito colateral da crise, da inflação ou das taxas de juro — é o reflexo de uma mudança estrutural, silenciosa, mas profunda.
Pela primeira vez, Portugal está a formar uma geração que quer comprar, mas não consegue. Uma geração que trabalha, que poupa, que procura — mas que esbarra num mercado que deixou de falar a sua língua. Os rendimentos não acompanham os preços. A oferta escasseia ou surge fora dos centros onde estão os empregos e as oportunidades. Os apoios públicos, mesmo quando bem-intencionados, chegam tarde ou não chegam a quem mais precisa. E o resultado é um sentimento crescente de frustração, de bloqueio, de desilusão.
Mais do que estatísticas, esta é uma realidade que se vê nas........
