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A democracia consegue acompanhar a velocidade da comunicação

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15.10.2026

Recentemente uma expressão pouco comum surgiu no debate público português: Gish gallop. O contexto é circunstancial, mas o fenómeno levanta uma questão mais ampla sobre como construímos opinião e discutimos problemas públicos.

A expressão foi cunhada em 1994 pela antropóloga Eugenie Scott, a partir do estilo argumentativo de Duane Gish, conhecido por debates em defesa do criacionismo. Descreve a apresentação sucessiva de tantas afirmações, argumentos ou dados que se torna praticamente impossível responder a todos.

A eficácia assenta numa assimetria simples: afirmar demora segundos; verificar, contextualizar e responder com fundamento exige mais tempo.

Imaginemos um debate sobre habitação. Em menos de um minuto, alguém pode afirmar que há milhares de casas vazias, que o problema são os impostos, que o alojamento local fez aumentar os preços e que o controlo das rendas falhou noutros países. Não precisamos, para compreender o mecanismo, de saber se estas afirmações são verdadeiras ou........

© Observador