O louro prensado que o tweet não resolve
“É inaceitável esta decisão”, escreveu Carlos Moedas no X: e até que concordo. “Sinal de falta de autoridade das forças de segurança”, disse (e também concordo), a propósito da libertação de um suspeito ligado ao desacato de segunda-feira na Baixa, onde uma turista sueca foi atingida por bala perdida. Contudo, o edil de Lisboa, com essa publicação, fez um serviço à direita radical e populista.
Não se trata de desvalorizar o incómodo social (flagrante) de ver um suspeito em liberdade, sujeito a apresentações quinzenais numa esquadra. Nem de discutir as opções do juiz, que decidiu no âmbito de um processo distinto, o de violência doméstica em que o homem tinha sido detido, não diretamente pelo tiroteio, cujo papel nesse episódio a PSP ainda está a apurar e confirmar. Mas essa indignação instantânea, superficial, cabe a nós, cidadãos anónimos sem poder nem palco. De um autarca, presidente da Câmara da capital, vice-presidente do PSD e membro da Comissão Política Nacional do partido, espero muito mais: espero que vá até à raiz do problema que, tudo indica, é uma guerra territorial entre vendedores de droga falsa, o chamado louro........
