Epic Fury, zero resultados
Quando Pete Hegseth declarou que os Estados Unidos tinham alcançado uma “vitória decisiva” sobre o Irão, a afirmação soou mais a um slogan político do que a uma descrição séria do resultado estratégico. Não apenas para os críticos da administração Trump, mas para qualquer analista que compare os objectivos declarados com os resultados observáveis no terreno. A questão central mantém-se, contudo, bastante simples: o que mudou, de forma concreta e favorável para Washington e para o mundo, depois deste conflito?
A Operação Epic Fury foi, muito provavelmente, um dos conflitos mais caros por dia da história militar dos EUA. O CSIS estimou cerca de 3,7 mil milhões de dólares nos primeiros quatro dias: perto de 900 milhões por dia (!). Nas semanas seguintes, outras estimativas colocaram o custo total entre 22 e 31 mil milhões de dólares nas primeiras cinco semanas, com projecções que apontam para valores na ordem dos 50 mil milhões. Importa, no entanto, ser preciso: os números iniciais mais baixos cobriam sobretudo munições e não a totalidade dos custos operacionais, logísticos e de perdas.
Mas a factura deste conflito não é apenas financeira. O consumo de mísseis interceptores foi suficientemente elevado para levantar dúvidas sérias sobre o estado de prontidão americana noutros teatros. Estimativas indicam que os EUA dispararam cerca de 198 interceptores THAAD nos primeiros 16 dias, o que poderá corresponder a uma parte substancial do stock disponível antes do conflito. Outros sistemas, como os SM-3, também foram utilizados........
