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IA e a erosão da experiência humana

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01.04.2026

Nas últimas crónicas tenho enfatizado por aqui algumas das consequências mais nocivas que a IA tem vindo a causar no comportamento humano. Poderá parecer, para muitos, que não sou – porque sou – um entusiasta das vantagens que a IA tem vindo a introduzir no nosso quotidiano. Não obstante, sejamos claros: a promessa sedutora de fazer mais, melhor e mais depressa está longe de se cumprir na extensão em que lemos, um pouco por aí, no apostolado da tecnologia. A verdade é que não há almoços grátis, e a natureza humana tem-se encarregado de, como habitualmente acontece quando surge algo mais disruptivo, trazer, junto com as vantagens, vários problemas e riscos. A barreira que mais me fascina, nos últimos meses, é perceber como se combate a cultura do facilitismo –a ideia nociva de que, com a IA, tudo se torna mais rápido, mais fácil, mais imediato, quase sem esforço –, como se o valor, o que verdadeiramente vale, não permanecesse associado ao que perdura no tempo, implicando esforço e resiliência.

Não me interpretem mal: a IA, em muitos aspetos, está a cumprir a sua promessa de nos libertar de tarefas repetitivas; a acelerar vários processos, tornando-os até mais consistentes; e, não duvidem, um núcleo restrito de pessoas e empresas tem já, na IA, uma fórmula mágica para ampliar as suas próprias capacidades. Agora, há todo um reverso da medalha, de destruição de capacidades humanas, que importa assinalar, sob o risco de a IA servir, de forma darwinista, para acentuar ainda mais as diferenças existentes nas sociedades ocidentais, levando a que o espaço do “meio”, que fez a felicidade nos nossos países durante........

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