Violência no desporto: progresso real, modelo incompleto
O Relatório de Análise da Violência Associada ao Desporto (RAViD) referente à época 2024/2025 traz, finalmente, uma notícia que merece ser sublinhada: depois de vários anos de crescimento contínuo, o número total de incidentes registados diminuiu de forma significativa. Mais do que um simples ajuste estatístico, esta redução é acompanhada por um dado ainda mais relevante pelo segundo ano consecutivo, diminuíram os episódios de violência grave, incluindo agressões, incitamento à violência, racismo, xenofobia e outras formas de intolerância.
Num contexto social e desportivo frequentemente dominado por discursos alarmistas ou por respostas impulsivas, estes resultados devem ser reconhecidos. São o reflexo de um trabalho continuado de várias entidades, da melhoria na recolha e análise de dados, do reforço da fiscalização e de uma aplicação mais consistente de sanções. Quando se define um problema com rigor, se mede de forma transparente e se atua com coerência, os resultados tendem a aparecer.
Mas reconhecer progressos não pode significar, fechar os olhos às limitações do modelo atual.
Apesar da diminuição global dos incidentes, o relatório confirma que a posse e utilização de artefactos pirotécnicos continua a representar cerca de 60% do total das ocorrências. Trata-se de um fenómeno persistente, concentrado sobretudo no futebol profissional e fortemente associado a grupos organizados de adeptos. Ou seja, não estamos perante um problema difuso ou........
