Baixar o ISP não chega. É precisa previsibilidade
A redução temporária do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos é uma resposta necessária ao agravamento dos custos dos combustíveis. Mas uma economia não pode viver de medidas temporárias, anunciadas em função da urgência e revistas ao sabor da evolução semanal dos preços.
A Portaria n.º 345-C/2026/1, de 14 de agosto, reforçou o desconto no ISP, fixando-o em 80,52 euros por mil litros de gasóleo e 49,61 euros por mil litros de gasolina. Aplicável desde 17 de agosto, procura atenuar o impacto sobre famílias e empresas.
É uma decisão compreensível. Para os transportes, a logística, a distribuição, a agricultura e uma parte significativa da indústria, o combustível não representa uma despesa marginal. É um custo estrutural, que influencia diretamente as margens, os preços e a capacidade de competir.
Quando o gasóleo sobe, não aumenta apenas a fatura da transportadora. Aumenta o custo de levar matérias-primas à fábrica, distribuir produtos e entregar mercadorias. O aumento percorre toda a cadeia de valor e acaba por chegar ao consumidor.
A redução do ISP pode amortecer esse efeito. Não o elimina.
Desde logo, porque uma........
