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Pode alguém ser quem não é?

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09.03.2026

Hoje vamos ter dois Presidentes da República no mesmo dia. Um que termina o seu mandato, outro que inicia. Tão diferentes entre si, mas ambos humanos, demasiadamente humanos.

Se quisermos entender o que foi a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, devemos começar por responder à questão que intitula este artigo. Pode alguém ser quem não é? Não, não pode. O exercício do poder presidencial tem a ver com a pessoa e as suas circunstâncias pelo que compreender a pessoa é meio caminho andado para perceber o seu comportamento. Faltando obviamente enquadrar com as circunstâncias que defrontou.

Marcelo, chegou a Presidente com as características que muitos lhe reconhecem: inteligente, irrequieto, perspicaz, bem-disposto, criativo, por vezes para além dos limites (lembre-se o episódio da vichyssoise com Paulo Portas), reputado académico, bom conhecedor da Constituição e praticante da arte da manipulação política como muito poucos (veja-se como armadilhou constitucionalmente a possibilidade de regionalização, com a necessidade de vários referendos, na revisão de 1997). O Lar da Criança, a ortodoxa Faculdade de Direito, os seus pais, Marcelo Caetano e a igreja católica moldaram a sua personalidade e os seus valores. Durante cerca de quinze anos como comentador televisivo Marcelo acompanhou e comentou a realidade política nacional e granjeou, por mérito próprio, uma simpatia grande dos portugueses. Isto permitiu-lhe, não apenas sem apoio partidário, mas mesmo contra a posição oficial do PSD, ser candidato e vencer com facilidade as eleições presidenciais.

Chegou livre e pelo seu próprio pé a Belém, sem dever nada a ninguém, e porque também sabe que ninguém pode ser quem não é, e que nunca aguentaria estar dez anos em Belém com uma falsa persona, foi igual a si próprio, popular, por vezes populista, manteve os seus banhos de mar, as suas caminhadas rápidas, que jovens deputado(a)s tinham dificuldade em acompanhar em visitas oficiais, as suas agendas de trabalho notívagas,........

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