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Vários tipos de fundamentalismo

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29.06.2026

De acordo com Caro Claire Burke, Yesteryear tem como objetivo fazer uma crítica ao papel desempenhado pela religião no movimento das tradwives, e que é habitualmente considerado como fundamentalista. Optou até por não identificar a variante específica de Cristianismo de Natalie, a protagonista do livro:

“Fiquei obcecada com a ideia de que o fundamentalismo é bastante consistente para as mulheres, não só em todas as vertentes do Cristianismo, mas em todas as religiões. Há muito mais pontos em comum entre os fundamentalistas do que aquilo que os separa.”

O propósito de Burke não é, porém, conseguido. Natalie não tem uma relação pensada e profunda com a religião e relaciona-se com ela, sobretudo, em termos transacionais. Quase tudo o que faz ao longo do livro não decorre do facto de ter uma convicção religiosa profunda (ou fundamentalista), mas do facto de ser uma pessoa incrivelmente competitiva e desagradável.

Ainda assim, percebemos, no final do livro, a que tipo de fundamentalismo Caro Burke se queria referir. É que a autora não se inspirou apenas em Hannah Neeleman. Burke tinha igualmente em vista Ruby Franke, uma mãe influencer que foi condenada por maus-tratos dos filhos mais novos em 2024 e que já motivou múltiplos documentários. Tanto Ruby como Hannah são membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e parece ser este o fundamentalismo que Burke quer visar: é que, apesar de representarem apenas 2% da população dos Estados Unidos, os mórmons têm um peso........

© Observador