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Os filhos dos Boomers

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19.10.2026

1 A ânsia por estatuto

Em The Status Game: On Human Life and How to Play It, Will Storr confronta-nos com uma dimensão inescapável da natureza humana:

“Estamos programados para procurar relações e estatuto social: para sermos acolhidos em grupos e conquistarmos prestígio no seio desses grupos”.

Isso significa que ansiamos por estatuto e tememos perdê-lo – o que condiciona o modo como vivemos e como nos comportamos socialmente. Muitos crimes são cometidos porque desejamos obter algum tipo de estatuto (em caso de furto ou fraude, por exemplo) ou porque sentimos que não fomos respeitados (a humilhação é um fator fundamental nos crimes violentos). É por essa razão que a coscuvilhice desempenhou (e desempenha) um papel tão importante nas sociedades humanas. E é por isso que tantas pessoas parecem dispostas a prescindir do princípio de igualdade formal em troca de políticas preferenciais ou de discriminação positiva: para garantir que certos grupos recebem mais consideração, e estatuto, do que outros.

Mas há um lado muito positivo nesta ânsia por estatuto: é ela que nos leva a ser criativos e inovadores, a fazer-nos querer superar metas e estabelecer novos limites e também a querermos ser virtuosos (a necessidade de sinalização de virtude com que somos bombardeados todos os dias não é mais do que isso: uma forma de adquirir um certo prestígio social).

E não há como escapar: todos o fazemos constantemente, de uma forma ou de outra – é a nossa natureza ultra-social, resultado de mecanismos adaptativos que aumentam as nossas possibilidades de sobrevivência. Mas obriga-nos a viver numa certa clausura: como o estatuto é fundamentalmente relacional, o nosso........

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