A Igreja condenou, ou não, o modernismo?
«Estamos a ser atacados». A frase é o início do discurso que o Pe. Patrick dirige aos cardeais no filme Anjos e Demónios. (Não li o livro. Dan Brown que me perdoe.) Assombrado com a ideia de que a Igreja está a ser perseguida pela ciência e pela modernidade, a que não tem pejo de condenar por «blasfémia» e «arrogância», Patrick envenena o Papa, arquiteta um plano que envolve a morte de quatro cardeais papabili, simula o regresso vingativo dos illuminati, e, por fim, imola-se na Basílica de S. Pedro, quando percebe que o seu envolvimento foi descoberto.
A ideia de que a Igreja está sob ataque, e de que os seus inimigos são o modernismo e o liberalismo, é uma ideia relativamente recente, mas imprecisa. A arte sacra mostra um diálogo permanente com a simbologia pagã pré-cristã, com múltiplas referências à mitologia clássica. Mas há outra razão. O modernismo e o liberalismo são conceitos demasiado amplos e contraditórios. Não é de espantar, por isso, que a reação da Igreja também o seja.
Em 1907, quando a «crise modernista» rebenta, um padre com 70 anos tinha já convivido com a queda de Roma e a perda dos estados pontifícios; com a Kulturkampf prussiana, onde bispos foram presos e exilados, seminários fechados e dioceses e paróquias esvaziadas;........
