Os Paradoxos da Páscoa
Já se disse que o não reconhecimento imediato de Jesus ressuscitado, nomeadamente pelos seus mais próximos discípulos, poderia levar à dúvida sobre a fiabilidade do seu testemunho. Nas ressurreições da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim e de Lázaro, o reconhecimento da identidade dessas pessoas enquanto ressuscitadas foi imediato, o que não aconteceu com Jesus de Nazaré. Poder-se-ia, então, questionar se esta foi uma verdadeira ressurreição. Há suficientes razões humanas, ou seja, históricas e científicas, que permitam afirmar com certeza que Jesus Cristo ressuscitou?
Paradoxalmente, como explica Joseph Ratzinger/Bento XVI, o que poderia parecer um argumento convincente contra a historicidade e veracidade da ressurreição de Cristo é, afinal, o que melhor confirma a sua autenticidade, porque, “se a ressurreição tivesse sido inventada, toda a insistência se concentraria na plena corporeidade, no reconhecimento imediato e, além disso, ter-se-ia idealizado talvez um poder particular como sinal distintivo do Ressuscitado. Mas, na contradição do experimentado que caracteriza todos os textos, no conjunto misterioso de alteridade e identidade, reflecte-se um modo novo de encontro que apologeticamente aparece como desconcertante, mas por isso mesmo se revela ainda mais como descrição autêntica da experiência feita” (Jesus de Nazaré, Parte II, pág. 217).
Se o não “reconhecimento imediato” é, por assim dizer, o primeiro paradoxo pascal, o segundo respeita à “plena corporeidade” de Jesus ressuscitado.
É evidente que Maria Madalena e as outras santas mulheres, Pedro, os discípulos de Emaús, os dez apóstolos e, depois de uma semana, também Tomé, viram alguém, mas esse alguém era mesmo Jesus? Foi o seu corpo que lhes apareceu, ou tiveram apenas a aparição do seu espírito, o que seria insuficiente para provar a sua ressurreição?!
Segundo os Evangelhos, várias manifestações do ressuscitado foram precedidas por aparições de anjos.........
