menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A "Hamartia" portuguesa: o medo do erro como programa

17 4
21.02.2026

Há uma palavra grega que ajuda a compreender o momento português melhor do que qualquer relatório macroeconómico: Hamartia. Na tragédia clássica, designava o erro constitutivo do herói, não um acidente, mas uma falha humana que, ao manifestar-se, conduzia à queda e, paradoxalmente, à revelação.

O erro não era um desvio da condição humana; era a sua expressão inevitável. E era precisamente essa vulnerabilidade que tornava possível a aprendizagem e a catarse.

Portugal parece ter adotado a tese contrária.

Ao longo das últimas décadas, consolidou-se entre nós uma cultura política que identifica o erro como patologia social a erradicar. O risco é tratado como falha moral, a falência como vergonha coletiva, a desigualdade como prova automática de injustiça estrutural. O resultado é um modelo de governação que procura antecipar e neutralizar qualquer possibilidade de queda, mesmo que, ao fazê-lo, neutralize também a possibilidade de ascensão.

Não se trata apenas de uma opção económica. Trata-se de uma visão antropológica: a convicção de que o cidadão deve ser protegido de si próprio.

A Segurança Como Fim em Si Mesmo

O Estado social europeu nasceu como........

© Observador