A internacional populista morreu de patriotismo
Durante quase uma década, a direita populista gostou de se imaginar como uma espécie de Comintern ao contrário. Menos livros, menos disciplina, mais fronteiras, mais ressentimento e muito melhor capacidade de comunicação. De Washington a Budapeste, de Roma a Paris, de Brasília a Buenos Aires, a promessa parecia simples. Havia finalmente uma linguagem comum para transformar ansiedade social, fadiga institucional e frustração económica num projeto político vencedor. O nome dessa linguagem não era propriamente conservadorismo, soberanismo ou patriotismo. Era trumpismo. E durante algum tempo funcionou.
Trump não criou esta constelação, mas deu-lhe aquilo de que ela mais precisava, legitimidade. Até 2016, muitos destes movimentos eram tratados como aberrações nacionais, fenómenos barulhentos mas periféricos, úteis para contaminar o debate, não para governar. A vitória de Trump mudou isso. Se o homem podia chegar à Casa Branca a insultar aliados, desprezar instituições, radicalizar a linguagem da imigração e vender nacionalismo como produto de massas, então o resto do mundo percebeu depressa a lição. O impensável tinha deixado de o ser. A partir daí, cada país começou a traduzir o modelo para o seu sotaque. Uns copiaram a estética, outros a táctica, outros a ideia mais funda de que a política já não era a arte do compromisso, mas a gestão permanente de uma guerra cultural.
Steve Bannon tentou até dar forma organizacional a esta fantasia com The Movement, a célebre tentativa de montar em Bruxelas uma internacional de nacionalistas. A ideia era absurda e por isso mesmo reveladora. Nacionalistas adoram........
