Os ócios postais
Falar ou escrever parece-se com mandar uma carta. Ao mandar uma carta esperamos que certas coisas aconteçam e que os correios (electrónicos ou não) funcionem; e esperamos que o destinatário a consiga perceber. Estas esperanças não são importantes apenas em recados, anedotas, romances e entrevistas; são importantes em poemas, mensagens dentro de garrafas, contratos e alusões. Falar ou escrever não é bem dizer coisas; ou melhor, dizer coisas consiste em esperar que, porque alguma coisa funciona, alguém perceba o que estamos a querer fazer com todos aqueles barulhos.
É pouco importante se as nossas cartas são escritas num écran ou num pergaminho, se são grunhidos ditados por uma máquina ou frases completas; o meio não é a mensagem.........
