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Urgência com sangue frio

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11.02.2026

No início, era um líder de nicho, um candidato a mero pastor de saudosistas e outros ‘istas’ piores. Barulhento, incómodo, porém inofensivo. Depois, divertidos e com um cravo vermelho na mão, agigantaram-no artificialmente e fizeram dele um problema e um embaraço da e para a direita. Riram-se com a má sorte dos sociais-democratas e imaginaram um país a orbitar em torno de uma única estrela — o PS. Quando a esquerda desapareceu, entreolharam-se. Quando sofreram a primeira derrota, gritaram “não passarão”. Quando perderam de forma humilhante, uns, teimosos, disseram que a culpa era do povo. Outros, ainda que contrariados, perceberam que tinham de mudar de vida. Agora, fascinados com o barulho das luzes, voltam ao estado de negação. Foi tudo um mau sonho, a ameaça está neutralizada. Enganaram-se várias vezes e enganam-se outra vez.

André Ventura perdeu. E perdeu em muitas frentes. Mas isso não muda o essencial: há nove anos, André Ventura era um comentador de futebol. Uma terceira linha do PSD. Um candidato à Câmara de Loures inventado por caciques laranjinhas muito pouco recomendáveis. Hoje, é merecedor da confiança de mais de 1.7 milhões de eleitores. À exceção da primeira volta destas eleições, sempre que foi a votos em nome próprio, André Ventura cresceu. E cresceu muito. Nestas presidenciais em particular cresceu cerca de 300 mil votos face às últimas legislativas. São mais 300 mil para a mesa do líder que se confunde com o partido. Celebrar estes 300 mil a mais como sendo “poucochinhos” é, no mínimo, confrangedor.

O alívio........

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