O problema da direita é que tem votos mas não tem um líder
De repente, sem que ninguém estivesse verdadeiramente à espera, a campanha eleitoral abriu as portas pesadas do Grande Museu das Conquistas da Direita Portuguesa. João Cotrim Figueiredo, que vem da Iniciativa Liberal e, por isso, só poderá, eventualmente, chegar a Presidente da República com os votos dos laranjinhas, foi o primeiro a entrar no mausoléu: com o fervor religioso de um vendedor de velinhas, invocou a “maneira de estar na política” de Francisco Sá Carneiro, o “reformismo” de Aníbal Cavaco Silva e a “coragem política extraordinária” de Pedro Passos Coelho. André Ventura, que lidera um partido que nasceu anteontem, explicou a um país perplexo que, apesar das aparências, Sá Carneiro é o seu “modelo político”. Luís Marques Mendes, que pertence à agremiação social-democrata, apressou-se, naturalmente, a fazer o mesmo — e levou atrás de si meio PSD, que se apoquentou com esta súbita devoção das variadas figuras da........
