A imigração e a economia
No verão de 2023, o então ministro da Economia, António Costa Silva, proclamava esfusiante que a economia portuguesa no final desse ano cresceria acima de 3%. Nada disso veio a acontecer e a crise política por essa altura instalada fez com que ninguém cobrasse uma profecia tão fracassada. Mas, como há umas semanas escrevi neste espaço, as economias do sul da Europa têm, de facto, gozado de um desempenho que, muito longe de ser brilhante, contrasta com a estagnação do passado recente. Os últimos dados do 4º trimestre de 2025, fixando o crescimento do PIB português no ano passado em 1,9%, e o espanhol em 2,8%, confirmam esta tendência. Veremos em breve os dados para a Croácia e a Grécia, que certamente não trarão surpresas.
Não há nada de misterioso nesta mudança e há razões para se pensar que foi o resultado de uma conjuntura irrepetível. Em Portugal, como na Espanha, Grécia e Croácia – países que, nos anos pós-COVID, têm manifestado um desempenho económico superior ao nosso –, a combinação do crescimento alucinante do turismo, o fluxo de fundos europeus abundantes como nunca, com destaque para o PRR, e volume de imigração sem quaisquer precedentes históricos, explicam por inteiro a “anormalidade” do aumento do PIB. Tudo isto seria animador não fosse o caso de estes acréscimos terem provavelmente já chegado aos seus limites.
É fácil perceber porquê. Não há muito mais capacidade de alimentar as mesmas taxas de crescimento no sector do turismo dos últimos anos em nenhum destes quatro países. O dilúvio de dinheiro europeu sem contrapartidas que acabou por funcionar como recompensa dos países mais dependentes da actividade turística, e, portanto, mais afectados pelos confinamentos do tempo do COVID, tem mais um ano de glória. Depois retomar-se-ão os fluxos habituais, mas mais reduzidos, de que estas 4 economias dependem. Logo, os contributos importantíssimos destes dois motores para o crescimento anual do PIB irão arrefecer nos próximos tempos.
Finalmente, a imigração. Espanha e Portugal, mas também Croácia e Grécia, ainda que a uma........
