A crónica dos nossos dias
Os nossos dias são feitos de pressa, de pressa para ir trabalhar, de pressa para ir buscar os filhos, de pressa para ir comer, e claro se estamos preparados? Pressa também para estarmos presentes.
Existe uma ansiedade enorme na nossa civilização mundial, as pessoas hoje movem-se ainda mais rápido que a própria terra em torno do Sol.
Nunca tivemos tanta informação, ou mesmo tecnologia e claro tantas formas de comunicar. Neste momento com tantas possibilidades parece que sabemos cada vez menos sobre o essencial: Os nossos dias são feitos de quê?
A realidade é que vivemos com tanta pressa que esquecemos de viver.
Hoje as notícias nascem de manhã e à noite parece que são esquecidas, é o novo jornalismo, e as pessoas? Tratam-se de forma igual, andamos a substituir as notícias, como as pessoas.
O silêncio tornou-se um luxo, e quase raro na nossa sociedade. Entre isso os nossos dias continuam a envelhecer-nos e com tanta informação porque esquecemo-nos de fazer o essencial? E o que é esse essencial?
Viver claro, e viver sem ansiedade, mas para isso é necessário dinheiro, e quem inventou o dinheiro?
Ora aí está uma boa pergunta, o dinheiro não foi inventado, mas sim faz imensos séculos nomeadamente no século VII a. C. no reino de Lídia (na Turquia atual) surgiram as primeiras moedas metálicas verdadeiras. Séculos depois surgiu na China por volta do século VII ao século XI, durante a dinastia Song o dinheiro era em papel porque transportar grandes quantidades de moedas era pesado.
E porque apareceu o dinheiro? Evoluiu de trocas diretas, a objetos valiosos, de moedas a notas, e claro a dinheiro digital. Tal como foram também os nossos dias que as trouxeram, não apenas os atuais, mas dos antigos aos atuais.
O mundo evoluiu, e nós? Talvez estaremos na nossa última fase de evolução, aquela que já não se evolui, mas apenas se autodestrói, e claro destrói.
Sou defensor de uma humanidade que se constrói com cultura e tecnologia, mas falando abertamente em tecnologia, nos nossos dias essa pode ser uma preocupação. Se nascemos, agora queremos dar vida sem reprodução? O que aconteceu com toda a humanidade? O que faremos se a própria tecnologia se virar contra nós?
Não será como o dinheiro, ou como as notícias rápidas, e até mesmo como a pressa de ir para o trabalho. Será ainda pior: A nossa invenção a virar-se contra nós.
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